terça-feira, 6 de maio de 2014

A Bênção!

Eu não consigo falar de Conceição sem falar de duas referências de vida para mim: meus avós. Eu jamais poderia deixar de citá-los aqui, tendo em vista tudo que significam e significaram para mim, inclusive no apreço à cidade sobre a qual me refiro nesse blog. E um pouco de Conceição eu vejo em cada um deles: a tradição, a simplicidade que gera a grandeza, a cumplicidade, a honestidade (graças a Deus!), a religiosidade, a culinária e todos os costumes de uma geração mais antiga. 

Meu avô até hoje não se acostumou com o mundo atual. "Antigamente não era assim..." e a reclamação se prolonga por um bom tempo. Eu tentava mudar a cabeça dele, mas preferi desistir. São 87 anos de experiência, de luta e muita história pra contar. Muita mesmo! Morador da zona rural da cidade na sua juventude, sempre me contou sobre o folclore conceicionense e seus encontros com figuras do além: o porco que corria pelas ruas de madrugada, os três cavaleiros depois da ponte, a visita de um homem que acabara de morrer, o homem da altura de um poste (do que eu morria rindo, mesmo considerando que antigamente os postes eram menores) e até o tenebroso urro da mula-sem-cabeça que fazia as unhas e os cabelos crescerem. Poucas oportunidades mas imaginação fértil, dessa meu avô sempre fez questão de ter.

Minha avó é uma mulher simples para quem você olha e diz "guerreira", mesmo sem dizer. Sempre houve uma frase que minha avó não suportava que eu dissesse: "vó, tô com fome". Não faltavam dali dezenas de alternativas para mudar isso e aqui eu encontrava o simples mas gigante aprendizado de uma culinária típica, com sabor e temperos únicos. O meu preferido era o cuscuz, que até hoje peço para ela fazer e ela me enrola.

Durante toda a vida deles, eles moraram lá, em Conceição e eu não poderia deixar de citá-los aqui. Talvez eu tenha fugido um pouco do tema, mas se o fiz... foi com muito orgulho :)

Nenhum comentário:

Postar um comentário